A Índia e seus encantos

a india e seus encantos

Quanto tempo ficamos: 12 dias
Cidades visitadas: Delhi, Agra, Fatehpur Sikri, Jaipur, Jodhpur, Ranakpur e Udaipur.
Como fizemos os passeios: contratamos uma agência de turismo. Foi a melhor coisa que fizemos porque pudemos conhecer tudo sem o stress de ficar perdido ou ter que usar o transporte público indiano, que é bem precário. Além disso, estava fazendo em média 40 graus durante o dia todo, em Jodhpur ainda mais. A agência disponibilizou um guia por cidade e um motorista que ficava à nossa disposição 24 horas. ADORAMOS o motorista, Krishna. Uma fofura de pessoa.

Delhi

Ficamos hospedados em um hotel bem simples, mas muito confortável e conveniente (Bloomrooms) . Ele também era mais afastado do centro e, portanto, tinha menos barulho em volta. Aqui na Índia ainda não são todos os lugares que têm wifi gratuito e esse hotel tinha.

 

Agra

O must aqui é o Taj Mahal. Acordamos às 5:30 da manhã para visitá-lo e foi ótimo, pois estava vazio e pudemos tirar boas fotos sem multidões atrás. Como fomos cedo, também não estava tão quente.

Não é permitido fotografar o interior do Taj, talvez seja isso que o torne tão especial e misterioso. Ele é todo de mármore e seria uma obra perfeita, mas de acordo com a crença, humanos não podem realizar trabalhos perfeitos, só Deus pode. Sendo assim, os trabalhadores fizeram uma das bases das colunas diferente das demais. Uma é redonda e todas as demais octogonais (ver imagens).
O interior do Taj é escuro e nao dá para ter ideia da sua real beleza. Eu só fui realizar a perfeição dos detalhes quando saí de lá e fui a um show room de tampos de mesa de mármore com os mesmos detalhes, ainda feitos pelos descendentes dos trabalhadores do Taj Mahal.

As paredes internas são enfeitadas com flores e essas são meticulosamente feitas com minúsculos pedaços e lascas de pedras coloridas, colados um a um até que a flor seja formada. As flores não ficam em alto relevo porque são dispostas em espaços perfeitamente cavados na parede de mármore do Taj. Tenham em mente que o mármore não é uma pedra muito fácil de ser trabalhada, pois qualquer descuido pode provocar uma lasca.

Quando saímos do Taj e fomos ao tal show room (que é bem turístico) eu entendi como tudo foi feito e não conseguia controlar meu queixo caído.

A luz passa por duas das pedras usadas no interior do Taj Mahal, o mármore e a cornalina, que é vermelha, mas não pelas demais. Só isso já é impresionante, mas o esperto dono do show room faz um jogo de luzes embaixo e em cima da mesa e fatalmente você acaba seduzido pela beleza e perfeição do trabalho.

Ele nos mostrou os tampos das mesas e deixou bem claro que eles poderiam ser despachados para qualquer país, mas quando se convenceu que não compraríamos um, o homem nos levou até uma outra sala com objetos menores, mas também adornados com as tais flores.

Eu queria mesmo era despachar uma mesa, mas como o Robin se recusou a me deixar fazer isso eu decidi comprar 3 elefantes de mármore, um para mim e um para as minhas duas irmãs.

Ao saírmos de lá fomos almoçar em um restaurante na beira da estrada (pois iríamos para Jaipur) e eu vi os mesmos elefantes por 1/3 do que eu paguei. Pronto, caí na do guia.

Os guias e o motorista recebem incondicionalmente 5% de comissão de todos os restaurantes e lojas para os quais levam clientes (3% o guia e 2% o motorista). Tentamos escolher o restaurante pelo Trip Advisor, mas mesmo assim os preços são diferentes para indianos e turistas. O mesmo vale para as entradas dos palácios, fortes etc.

Fatehpur Sikri

Jaipur, a cidade rosa.

Jaipur tem esse apelido porque as casas são todas pintadas da mesma cor, mas na verdade não é rosa e sim laranja, cor de tijolinho.

Essa foi a cidade que eu mais gostei. Os palácios têm lindas histórias de amor, mas também de crueldade e lealdade aos reis.

Em Jaipur é possível ver elefantes pelas ruas, os que vimos estavam pintados e enfeitados para um casamento.

É possível chegar ao Amber Fort (uma das atracões turísticas) montado em um, mas apesar de isso estar incluso no nosso pacote, optamos por ir de carro.

Observação

O trajeto é todo de subida e com certeza os elefantes apanharam para aprender a carregar as pessoas. Embora eu tenha muito dó de animais trabalhando, entendo que as pessoas têm que ganhar dinheiro com o turismo. Falo isso porque os animais na Índia são sagrados, especialmente o elefante e a vaca e, portanto, são bem cuidados. Além disso, vi uma sede do WWF e eles garantem o bem estar dos animais. Os elefantes só sobem até as 10:30 da manhã e voltam ao final da tarde, porque não está tão quente. É bem diferente dos burrinhos em Santorini, que sobem e descem o dia todo e são bem maltratados.

Em Jodhpur conhecemos um casal que também nadou com os elefantes. Achei o máximo, mas de novo, eles devem ter apanhado para aprenderem a carregar pessoas na tromba…

Fora os elefantes vimos macacos, esquilos, bodes, vacas, burrinhos, ovelhas e camelos nas ruas. Cheguei achando que veria um monte de najas dançando loucamente ao som de flautas, mas fui saber que a prática é ilegal, portanto é possivel ver alguma caso você peça ao guia, o que também não fizemos.

Um dos palácios de Jaipur tem a segunda maior sala de espelhos do mundo, só perdendo para uma sala do palácio de Versailles.

É uma energia sem fim e um calor mais sem fim ainda. Maio não é o melhor mês para visitar o Rajastão, mas eu não posso reclamar de nada. Amei cada minuto que passei naquele país.

Ficamos hospedados no Trident, um hotel 4 estrelas. Eu fiquei de biquini na piscina, mas era atração turística de homens e mulheres que faziam fila para tirar fotos… Dizem que existem companhias de turismo que levam os indianos à Goa, mas só para tirarem fotos de mulheres ocidentais de biquini. O hotel não tinha wifi gratuito.

Jodhpur, a cidade azul.

O que eu mais amei em Jodhpur foi o hotel, brincadeirinha! Mas sério, com um calor de 43 graus eu não conseguia nem pensar.

Pela manhã fizemos um delicioso passeio de jipe. Fomos à casa de uma família de artesãos que trabalham com ceramica. Fizemos potes, ou melhor, EU fiz um pote e o Robin uma pulseira de barro, hahahaha! Depois fomos conhecer as casas dos Bishnoi.

Em uma das casas que visitamos, o chefe da família nos mostrou como ele usava o ópio, diluído em água. Ele tem permissão para colher a planta, pois sabe usá-la para produzir medicamentos para o seu povo. Na realidade eu achei o cara muito louco, ele nos ofereceu um pouco e provamos, fiquei um pouco enjoada com o gosto, mas em alguns segundos eu senti o meu corpo leve.

Depois fomos visitar a casa de uma família de artesãos que fazem tapetes da mesma maneira há muitos anos.

Na volta para o hotel vimos antílopes no meio do mato. À tarde visitamos o imponente forte da cidade.

A cidade tem o apelido de cidade azul, porque as casas mais antigas são pintadas dessa cor e, embora andando pelas ruas isso não possa ser notado, ao subir no forte o azul fica bem evidente visto de cima.

Ficamos em um hotel incrível: Ajit Bhawan, esse é um 5 estrelas. Também usei a piscina do hotel, conhecemos um casal europeu querido que estava mudando da Austrália para a Inglaterra e fazendo algumas paradas no caminho. A Noleen e eu estavamos de biquini e foi bem sossegado.

Udaipur, a cidade branca.

Udaipur é mais verde do que as outras cidades. Talvez por causa dos vários lagos essa cidade seja um pouco menos quente e abafada, mas na hora do almoço o calor ainda é bem insuportável.

Fizemos uma parada na cidade de Ranakpur para conhecer o Jain Temple, jain é uma religião e esse templo é do século 15. Ele tem 200 pilares com imagens cravadas no mármore e nenhuma delas é igual à outra. É impressionante, mas não me senti bem lá dentro. Primeiro não podíamos visitar várias salas do templo e, apesar de termos pago um preço bem salgado para poder tirar fotos, só podíamos fotografar os pilares. Mesmo com o pagamento da entrada e das câmeras (aqui você paga para tirar foto) ainda nos sentimos pressionados a contribuir com doações para o templo. Me senti bem mais tranquila e em casa no templo hindu.

Em Udaipur fomos conhecer um templo hindu. Os templos hindus parecem ter uma energia especial e podem ser distinguidos dos demais porque as suas paredes externas são trabalhadas e contém centenas de imagens de animais e do Kama Sutra. Dizem que eles são construídos assim para que os seus frequentadores não se percam na meditação e se entreguem somente para Deus, mas que lembrem de voltar para suas famílias. O Kama Sutra é um estímulo à reprodução.
Visitamos um palácio e depois fizemos um passeio de barco pelo lago Picchola. Fomos à uma ilha que tem um palácio e, hoje, um restaurante.

Tem alguns hotéis que só dá para chegar pela água e o governo de Udaipur está querendo fazer com que os únicos barcos que circulem pelo lago sejam os dos hotéis. Tudo para evitar que vire um lugar barulhento e poluído.

Ficamos novamente no Trident e havia piscina, mas todas as mulheres nadavam de roupa, então eu desisti de  tomar sol, comprei uma diária do wifi e fiquei no ar condicionado do quarto.

Pegamos um voo de Udaipur para Delhi e de lá fomos para a Malásia.

Moeda local e gorjetas

A moeda local é a Rúpia e cada real vale umas 25 rúpias.

Gorjeta

20 rúpias é o suficiente para oferecer de gorjeta aos cuidadores de sapato que ficam em frente aos templos e para os demais serviços, mas nos hotéis e restaurantes eles te olham feio se voce não dá gorjeta ou só dá 20. Nós aprendemos a nos fazer de besta, senão ficaríamos pobres. Eles não têm a menor vergonha de pedir gorjeta só por abrir uma porta para você.

Demos 100 rúpias aos guias que não gostamos muito e 200 aos que achamos legais.
Para o nosso querido motorista Krishna demos o que sobrou do nosso dinheiro no ultimo dia, 1010 rúpias! Foi pouco, mas era o tínhamos planejado gastar. Ele disse que gostou muito da nossa companhia e isso me deixou muito feliz.

Comunicação

A maioria dos indianos das cidades que visitamos conseguia se comunicar, mesmo que minimamente, em inglês. Boa parte deles também fala mais de dois dialetos ou idiomas. Nosso motorista Krishna, por exemplo, fala 5 línguas e dialetos! Alguns guias falam japonês, outros espanhóis e o nosso estava aprendendo português!

Alimentação

Nao tivemos problemas para nos alimentar. Logo aprendemos que as comidas podiam ser com frango, carneiro ou com paneer. Paneer é queijo. Pode ser cottage ou de búfalo, tipo um queijo coalho. Eu só comia o paneer e o mix de vegetais com medium spice. Gosto de uma pimentinha!

O Robin pedia tudo sem pimenta e mesmo assim a boca dele ardia! Ele comeu o carneiro um dia e logo depois passou um dia com diarreia e vomitando. Não sabemos se foi virose ou se foi da carne, mas cuidado ao ingerir carne em épocas muito quentes, como essa que pegamos. Eu não tive problema nenhum, só inchaço por causa dos temperos.
Nao tive problemas para comprar remédios para  Robin, vi a composição do Vonau, do Buscopan e do Plasil na internet e saí para comprar. Fiz soro caseiro e depois encontrei soro pronto na farmácia. Falaram para ele passar um dia só comendo banana com iogurte e ele melhorou mesmo!

Roupas

Para os homens é fácil: bermuda, camiseta, tênis (ou chinelo) e boné. Calça para os dias de visita aos templos.

Para as mulheres: nada justo ou transparente. Ombros devem estar cobertos e a barriga pode estar de fora. Um lenço ou pashmina trará um pouco mais de conforto, uma vez que todos irão te encarar. Eu usei saia longa todos os dias e me senti muito bem. Mas teve um dia que eu desencanei e saí de legging e depois de regata e também não foi o fim do mundo, mas todos me encararam bem mais.

Procure usar um biquini um pouco menos cavado e sempre dê uma olhadinha nas mulheres que estão na piscina antes de mergulhar e sair da água no estilo “mulher do Fantástico”!!

Lembre-se do protetor e tenha sempre uma garrafinha de água na mão. Pode andar de mão dada e abraçado, mas evite beijar em público!

Curiosidades

– Os homens fazem xixi na rua mesmo. Sacam o pipi e não querem nem saber.
– De acordo com o nosso guia de Jaipur, existem muitos eunucos naturais. São pessoas que nascem sem um sexo definido.
– Os indianos balançam a cabeça quando dizem sim, não ou talvez, mas nós não conseguimos compreender o significado e ficamos super confusos. Eles se entendem perfeitamente.
– Todos param para tirar fotos de estrangeiros. Alguns acreditam que trazem boa sorte, outros acham que somos bonitos mesmo.
– Um dos guias estava contando que quanto mais branca a pessoa, mais bonita ela é e que negros são feios. Ainda disse que, se algum indiano vê uma moça branca com um negro, acha que ela tem algum problema mental. Pode isso, gente?
– TODOS perguntaram se o Robin e eu éramos casados e ficaram super confusos quando dissemos que éramos namorados. Namorados não viajam sozinhos em hipótese alguma aqui na Índia. Depois do terceiro que perguntou, resolvemos mudar o nosso status para casados.
– A maioria dos casamentos ainda são arranjados e, segundo o nosso motorista, o índice de divórcio na Índia é de apenas 5%, sendo que a maioria é de casamentos voluntários.
– Os homens andam de mãos dadas na rua.

Considerações finais

Acho que no geralzão é isso. Há muita pobreza e sujeira pelas ruas sim, mas talvez por causa da religião hindu, que é maioria em todas as cidades, um clima de amor e paz pode ser sentido em todos os lugares, mesmo tão perto do Paquistão.

Embora oficialmente não exista mais a divisão da população em castas, é assim que eles se organizam. Falam que pertencem à casta tal e que só podem se relacionar com pessoas da mesma casta. Sempre me senti melhor no povão e aqui não foi diferente. Quem é da casta superior maltrata os da casta inferior e faz de tudo para mostrar que pode e é mais. Não gosto disso. Enturmei bem mais com o povão. Eles são iguais a mim, acreditam que primeiro vem a família, a natureza, o seu eu verdadeiro, depois o dinheiro. Sem dinheiro a gente não vive e sem ele também não poderia vivenciar tudo isso, mas não é o dinheiro que norteia a minha vida.

Todos param para comprar grama e alimentar as vacas e, embora a Índia ainda seja um país machista e conservador, definitivamente é um lugar que merece ser visitado.

A data de validade dos produtos deve ser sempre verificada, pois nós fomos a um mercado e compramos absolutamente tudo vencido. Também comprei um sorvete na rua (tipo corneto) e tive que jogar fora…

A pessoa que me indicou a agência também deu a dica de levar sempre uma meia na bolsa. Eu diria meia e uma pashmina para mulheres, para que possam se cobrir e ter um pouco mais de privacidade. A meia é para não queimar o pé nos templos onde deve-se tirar o sapato.

Eu andei de chinelo o tempo todo na Índia. A melhor solução. Também fiz pedicure, mas é bem diferente do Brasil, aqui eles fazem massagens, lixam, passam creme e pintam, mas não tiram a cutícula.

General overview

Nós escolhemos conhecer a Índia com um pouco mais de conforto e com certeza foi uma experiência muito diferente da que aqueles que ficam em ashrams (moradias gratuitas) tem.

Quem quiser saber mais de algum dos lugares ou quiser o contato da agência que usamos pode nos enviar um email. Nós conseguimos um descontinho camarada para os próximos viajantes!

Namastê

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