O roubo da minha mochila

Momentos antes do roubo

Momentos antes do roubo

Tínhamos sido alertados da ação de pickpockets em trens, aeroportos e estações da Europa. Guardamos o dinheiro em vários locais. Não largamos as nossas mochilas para tirar foto. Não somos dois bobos viajando. Mas aconteceu com a gente.

Local do roubo

Na estação de Morges, num trem de Aigle para Genebra.

Como aconteceu

O trem estava vazio quando entramos e estávamos com as mochilas ao nosso lado e sentados um de frente para o outro. Na estação anterior à Morges o trem lotou e eu fui ajudar um casal de idosos a colocar as suas malas no bagageiro, que é igual ao do avião, mas aberto.

Vi as duas mochilas em cima dos nossos assentos. Sentei e percebi que mais gente entrava. Achei melhor colocar as mochilas no bagageiro para liberar mais lugares para as pessoas.

Eu vi quando o ladrão entrou e me olhou. Ele estava viajando desde Aigle no mesmo trem, mas em outro vagão. Sei porque ele ficou me olhando na estação e lembro de vê-lo entrando em um outro vagão do trem. Ele estava de vermelho e também carregava uma mochila. Parecia estar em um grupo, mas lembro de ter reparado que só ele estava de mochila.
Então ele fingiu que entrou no trem na estação anterior a Morges, mas só mudou de vagão. E também tinha mudado de blusa. Mas óbvio que eu não fiz a conexão na hora.

Ele sentou-se no assento depois do meu, em frente à uma mulher. Eu estava com meu ipod e o Robin vendo um filme no ipad.
Uma mulher chegou e falou algo para o Robin e ele ficou andando de um lado para o outro, tremendo e sem saber o que fazer. Levantei e perguntei o que tinha acontecido e a mulher falou que haviam levado minha mala. Eu perguntei como ela sabia que era minha e ela disse que me vira entrando no trem, além de ter desconfiado do homem saindo com duas mochilas. Ela filmou o ladrão saindo do trem e não o deteve por medo.

A mulher que estava sentada na frente dele disse que também tinha achado o cara esquisito, mas que não desconfiara de nada. Ela nos ajudou a ligar para a polícia e enviou o vídeo que a outra moça havia feito com o celular.

Não conseguimos correr atrás do cara porque assim que soubemos do ocorrido as portas se fecharam e o trem começou a deixar a estação.

O que eu perdi:

– 1 Mac Book Air
– 1 iPad mini
– 1 GoPro Hero 3+ Black Edition com vários acessórios
– 1 Polar RCX3 com todos os acessórios
– 3 calças: um legging, uma de corrida e um jeans
– 2 saias: uma preta e uma jeans
– 5 blusinhas
– 1 blusa de merino
– 1 par de botas
– 1 par de havaianas
– 1 casaco para correr
– 1 casaco para esquiar
– minha necessaire de maquiagem
– minha necessaire de coisinhas para o cabelo
– todos os shampoos, condicionadores, elixir da Kerastase e cremes que eu tinha acabado de comprar e colocar em potinhos para durarem até agosto
– 1 elástico para malhar
– 2 toalhas
– Meias, calcinhas, tops e biquinis
– Fotos da minha família com mensagens de força e coragem escritas pela minha irmã
– 1 shorts de corrida
– 500 dólares em cash
– a mochila
– o passaporte brasileiro do Robin com o visto indiano

Quanto eu perdi

Mais ou menos US$ 4000 com tudo.

O que restou:

A roupa do corpo, meus óculos escuros e dois ipods com o fone. O meu passaporte estava com o Robin.

Como eu me senti

Violada, impotente, machucada e desacreditada. Como alguém pode fazer uma coisa dessas? É muito triste ter que pensar que, porque isso aconteceu, agora vou desconfiar das pessoas.

O que eu aprendi

Saí da minha casa em SP para conhecer o mundo, conviver com pessoas diferentes e aprender com elas para ser uma pessoa melhor. Foi um choque passar por isso e está sendo péssimo ter que ficar usando o iPad, o computador e a câmera do Robin para trabalhar no blog. Mas percebi que a gente também pode viver com menos e dividir mais o que a gente tem. Por causa do roubo eu conheci pessoas incríveis que me ajudaram, pelo Instagram e pelo Facebook eu recebi o carinho de muita gente, amigos, amigos virtuais, enfim, de várias pessoas que se comoveram ou passaram pelo que eu passei. Só posso agradecer tanto amor e preocupação. A viagem continua e talvez eu seja até mais feliz agora, porque tenho minha família, meus amigos, um namorado companheiro e várias pessoas para dividir as minhas experiências, alegrias e incertezas!

Comments

  1. says

    A cada coisa que eu lia nesse post, meu coração ia ficando mais apertadinho! Por um minuto me coloquei no seu lugar e imagino o quanto foi horrível ter passado por isso.
    Claro que o que é mais importante ladrão nenhum leva, que é a experiência maravilhosa que vcs estão vivendo… Mas, poxa, vcs se planejaram para comprar as coisas antes da viagem, imagino que tenham comprado o Macbook e a Go Pro nos USApara registrar a viagem, e um imbecil vem e toma isso de vcs… É terrível! O pior foi ainda ter a filmagem…
    Eu trabalho em uma empresa Suiça, e no ano passado um cliente que estava em grupo que levamos para conhecer a matriz teve seus pertences roubados de dentro do locker de uma estação de trem. A polícia acabou pegando o ladrão alguns dias depois (por conta de outro roubo) e identificou as coisas do cliente por causa das fotos na câmera, acredita? Ele havia tirado fotos em frente à empresa, e a polícia fioi até lá ver de quem eram os pertences…
    Enfim, que esse susto tenha sido o único da viagem e que daqui pra fernte vcs colecionem só histórias legais!
    beijos

  2. says

    Caramba, que coisa! E isso é para aquelas pessoas que insistem em dizer que só no Brasil essas coisas acontecem. Muito chato mesmo, mas o melhor a fazer é não deixar que esse evento seja o ponto determinante da viagem. Boa sorte e ótimos ventos para vocês!
    Ah! Parabéns pelo blog! 😀

  3. says

    Cris, Já passei por isso, só que na Argentina. É péssimo mesmo….fiquei super mal, mas conheci pessoas que me ajudaram. E aprendi que no mundo há pessoas más e pessoas boas. Uma compensa a outra. Adoro a Argentina e já viajei diversas vezes para lá e confesso que fiquei com uma impressão horrível do país, a´te porque brasileiro já tem um pé atras com Argentino e vice-versa. Não queria mais voltar, mas uma alma caridosa me fez mudar de opinião.
    A mala e mochila roubadas era do meu irmão e me senti responsável pelo ocorrido, afinal era a primeira vez dele no país e eu falei super bem da Argentina.
    Também sou uma pessoa que viajo e não fico dando mole, mas devemos ter cuidado, precaução e desconfiança em qualquer lugar do mundo.
    Já passou, a perda foi grande, mas foram bens materiais….. as pessoas boas que nos ajudaram, o apoio dos amigos e familiares, não tem preço!!
    E continuamos nossa viagem…. e foi incrível…..
    Também tenho um blog.
    Parabéns pelo seu!!
    bjos
    Thais

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